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5 Ideias para Rentabilizar o Hotel em Contexto COVID-19

 

Os desafios que se apresentam hoje ao setor hoteleiro não têm paralelo na história recente, mesmo para aqueles, como eu, que se lembram bem da crise de 2009-2012. Torna-se, portanto, fundamental, e ainda mais do que antes, repensar estratégias de forma disruptiva e corajosa, sem medo de questionar pressupostos e pensar sair da caixa.

Como contributo para o exercício que me é proposto, deixo cinco ideias que são cinco desafios aos proprietários e gestores hoteleiros.

Ideia 1: Novo paradigma, novo escritório

Num momento em que se evitam as viagens todo o custo e em que o trabalho a partir de casa se tornou, não só socialmente aceite, mas também acessível à generalidade da posições de gestão, existe uma oportunidade para criar novos espaços de trabalho individuais que assegurem todas as condições funcionais, de privacidade e de segurança sem os inconvenientes da permanência em casa. O aluguer de quartos, suites ou mesmo salas de reunião de hotel à semana ou ao mês poderá representar uma solução prática e cómoda, tirando ainda partido de todas as facilities e serviços que este disponibiliza – ginásio, spa, restaurante, room service etc. Sendo, logicamente, um produto dirigido a um segmento elevado do mercado corporativo, não deixa de ser possível trabalhar em diferentes níveis de mercado e budget, em função da própria categoria e localização do hotel.

Ideia 2: Mudança para arrendamento – definitiva ou temporária

Em unidades de configuração mais próxima de uma habitação tradicional – apartamentos e hotéis-apartamento, por exemplo – a movimentação para o mercado de arrendamento tradicional pode ser uma oportunidade. Sobretudo tendo em conta a escassez de oferta nas principais cidades e, para quem esteja disposto a assumir uma mudança mais definitiva, os incentivos fiscais para arrendamento acessível. Para quem preferir não se comprometer definitivamente, existem os mercados sazonais, como o alojamento estudantil, e as necessidades temporárias, como recuperações médicas em pós-operatório. Em ambos os casos, soluções compatíveis com uma abordagem temporária, que assegure, por exemplo, o regresso à normalidade antes do pico de Verão.  Esta opção estratégica terá, obviamente, implicações significativas na rentabilidade, com receitas mais baixas e custos operacionais mais elevados. Mas também há poupanças, por exemplo em comissões e front-office. Na realidade, é um outro negócio. E muitos preferirão a ter um negócio pior do que não ter um negócio de todo.

Ideia 3: Um hotel para perídos de isolamento profilático ou quarentena

Se o operador hoteleiro tiver confiança em toda a operativa de higiene e segurança que montou no contexto do selo “Clean & Safe”, poderá ter o atrevimento de a alavancar como bilhete de entrada num negócio completamente diferente – os isolamentos e quarentenas Covid. Seja no centro da cidade – com a vantagem psicológica da proximidade à família e aos meios hospitalares da sua área – ou em ambiente resort – com a vantagem de transformar duas semanas perdidas numa oportunidade de relaxamento – um hotel será, na maioria dos casos, uma opção mais atrativa do que ficar fechado num quarto, sem ver a família na mesma. Além do expertise na limpeza e higienização do quarto ou na recolha da roupa, o hotel oferece ainda um conjunto de serviços de elevada conveniência, como room service ou um concierge adaptado a este cliente específico. Alerta: independentemente dos benefícios práticos, vender a ideia de ir passar um período de incerteza como este longe da família e num ambiente de potencial risco de contágio será sempre um desafio. Mas foi para isso que inventaram os marketeers…

Ideia 4: A experiência do hotel… em casa

A ideia de levar serviços hoteleiros a casa não é nova. Existem já plataformas online que permitem ter um chef em casa, um barman para um cocktail especial entre amigos ou uma massagem com um ritual que experimentámos numa visita àquele spa. No entanto, estes permanecem como produtos de nicho, longe das rotinas das pessoas. Aqui, a força da marca hoteleira pode ser determinante para transmitir a confiança de que o mercado precisa para tornar a prestação do serviço em casa tão normal e rotineira como ir ao restaurante, particularmente numa altura em que se pensa duas vezes antes de sair. Quem não gostaria de ter um brunch de Domingo ou um jantar especial preparado pela equipa do Ritz, ou outro hotel de prestígio?

Ideia 5: Uma estratégia para o meu restaurante

Por muito que a realidade possa doer a um hoteleiro, é indiscutível que os hotéis têm, de um modo geral, uma enorme dificuldade em competir com a dinâmica a nível de conceitos e promoção dos restaurantes de rua. Com honrosas exceções, o restaurante de hotel trabalha para os seus hóspedes e falha no desenvolvimento de um conceito que o autonomize e torne apelativo ao mercado local. Também lhe falta, tipicamente, a dinâmica promocional e de novidade permanente que o mercado exige, ignorando o potencial das redes sociais ou de plataformas específicas de restauração, como o Zomato, o The Fork ou a Uber Eats. Se o mercado de alojamento colapsou, não existe realmente alternativa a definir uma nova estratégia para o F&B. É preciso desenvolver um conceito apelativo para o mercado local, desenvolver uma marca que o autonomize do hotel, criar uma dinâmica de marketing e distribuição adequada… e ir à luta.

Escrito por Pedro Rodrigues Catapirra

Outubro, 2020

Este artigo foi publicado na Ambitur. Pode aceder à versão impressa aqui.

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